Uma rede imune a terrorismo cibernético Fonte: Jornal do Brasil, 12/10/2001
"Uma rede de informação segura para o governo dos Estados Unidos, operando fora da internet e, em teoria, imune a ataques de hackers e terroristas. Essa é a proposta de Richard Clarke, que assumiu na quarta-feira o novo cargo de Conselheiro para Assuntos de Segurança no Ciberespaço. A GOVNET, como foi batizada, faz parte do pacote amplo de medidas contra o terrorismo como resposta aos ataques do dia 11 de setembro nos EUA.
Clarke, que por mais de uma década ocupou altas posições nas organizações de contraterrorismo dos EUA, inclusive o NSA, Conselho de Segurança Nacional, é conhecido por alertar para a possibilidade de um ‘‘Pearl Harbour digital’’ na internet americana - sérios ataques que interromperiam a comunicação dentro do governo. Clarke era encarregado de pressionar as empresas para aumentarem a segurança dos softwares e redes de dados.
A GOVNET será usada para todo o tipo de comunicação entre agências federais e usuários autorizados, incluindo a transmissão de voz e vídeo. Até ligações telefônicas e videoconferência poderão ser feitas por ela.
Código - No projeto da nova rede, Clarke sugere que seja usada a mesma tecnologia de comunicação da internet, baseada no protocolo TCP/IP que garante o envio e recebimento dos dados. Toda a informação seria encriptada - codificada de forma que só o emissor, o receptor e pessoas autorizadas podem entendê-la. ‘‘O projeto trará mais segurança às comunicações do Estado’’, diz o especialista Andre Diamand, diretor da Future Security, empresa de segurança de dados.
Apesar de usar a tecnologia da internet, a GOVNET não teria comunicação com ela ou qualquer outra rede pública ou privada. Ainda não foi revelado como continuarão a operar as homepages das instituições federais como CIA, FBI, Casa Branca e outras. ‘‘Os cidadãos vão querer continuar a acessar serviços do governo pela internet’’, diz Diamand. Segundo ele, será complicado manter a GOVNET completamente isolada da internet.
Algumas agências do governo americano, como a CIA e o Departamento de Defesa, já têm redes próprias e seguras, que, ao serem integradas à GOVNET, podem perder sua confiabilidade. ‘‘Quanto mais organizações e pessoas numa rede, menor é o seu grau de proteção’’, diz Diamand. ‘‘Os maiores responsáveis por roubo de dados confidenciais em redes de comunicação são seus integrantes mal intencionados’’, completa. Segundo Clarke, não há prazo para a decisão de qual empresa montará a GOVNET, mas quando ela for escolhida, terá seis meses para terminar o projeto, que poderá custar bilhões de dólares."