Skulls invade os aparelhos, troca ícones de acesso e bloqueia o envio de mensagens e acesso à agenda Fonte: Jornal do Brasil, 28/11/2004
A propagação de uma nova praga de celular, na última semana, evidenciou que os hackers querem mais que testar suas habilidades na Rede - pela primeira vez um vírus para aparelhos móveis impede o funcionamento de várias ferramentas de aparelhos que utilizam o sistema operacional Symbian Series 60. A praga, batizada de Skulls, é disseminada através de um papel de parede que pode ser baixado em vários sites e substitui todos os ícones do desktop do celular por imagens de uma caveira e ossos em forma de cruz.
O Skulls não é o primeiro vírus para celular, mas é a primeira praga maliciosa a se espalhar pelos aparelhos.
- O Skulls ameaça os dados e a funcionalidade do aparelho. Antes, os vírus eram apenas provas de conceito, desenvolvidos para testar a segurança dos celulares - afirma o analista de segurança da Future Security, Leandro Pereira.
No início do ano, o Cabir, o primeiro vírus para celular, infectou telefones e aparelhos que utilizam o sistema operacional Symbian Series 60. O vírus se dissemina através da tecnologia Bluetooh e se replica em qualquer qualquer aparelho que tenha o protocolo habilitado num raio de 30 metros.
Quando o arquivo infectado é recebido pelo celular, a tela do aparelho mostra a palavra ''Caribe''. Ainda assim, o usuário do celular precisa abrir o arquivo com a praga, que tem remetente desconhecido, para detonar a infecção.
O vírus, porém, não continha carga nociva. O grande dano causado pelo Cabir é o uso excessivo da bateria, já que ele força a procura incessante de outro dispositivo com Bluetooth dentro da sua área de ação.
O Skulls, por sua vez, não se auto-replica. Ele é disseminado através de um cavalo-de-tróia escondido dentro de um gerenciador de temas, que pode ser baixado gratuitamente em alguns sites. A praga se esconde dentro de um arquivo chamado 7610.zip e pode infectar qualquer aparelho que utilize sistema Symbian OS. Até agora, o modelo 7610 da Nokia, o primeiro celular com câmera de um megapixel a ser lançado pela empresa, foi o único afetado.
- Ao se instalar, o vírus substitui todos os ícones do desktop do celular por imagens de uma caveira. Além disso, ele altera as funções do telefone como o envio de SMSs e MMSs e acesso a agenda e o usuário passa a poder apenas fazer e receber chamadas - detalha o analista.
Em um comunicado oficial, a Symbian afirmou que ainda não está claro se os efeitos adversos foram causados por um cavalo-de-tróia ou por um problema interno do próprio sistema. A empresa minimizou a gravidade da situação afirmando que o vírus precisa da ação do usuário para ser instalado.
Para proteger os dados armazenados nos aparelhos, as recomendações são instalar um antivírus (vendidos por diversas fabricantes como F-Secure e a Sophos) e jamais baixar conteúdo de sites desconhecidos.
- O usuário não deve instalar acessórios recém-lançados e é recomendável que os downloads sejam feitos apenas em sites oficiais. Outro cuidado é, em caso de contaminação, não desligar o celular e seguir os passos indicados pelo antivírus. Se o aparelho for desligado, todos os dados podem ser perdidos - alerta o analista.
Poucos telefones vendidos atualmente vêm com proteção de fábrica, mas algumas empresas, como a Nokia, já anunciaram que pretendem lançar aparelhos com o antivírus de fábrica em breve.
- É utopia achar que os usuários comuns, que usam o celular apenas para falar, vão utilizar antivírus. Mas para quem trabalha com o celular, recebe dados importantes e faz transações bancárias, se proteger contra ataques é essencial. É tão importante quanto preservar o computador - compara Pereira.