Andre Diamand fala sobre PC Popular no JB Fonte: JB Online - 12/05/2005
Sistema trava computador popular
Projeto deve ser anunciado hoje, com dois meses de atraso,
em meio à guerra entre defensores do Windows e do
Linux
Marcela Canavarro
Alguns setores do governo não falam a mesma linguagem
- nem rodam o mesmo sistema operacional. Na véspera
do anúncio do PC Conectado, programa do governo federal
para popularização dos microcomputadores,
ainda não havia definição sobre que
sistema será adotado: Windows, da gigante Microsoft,
ou Linux, de fonte aberta. Este é um dos pontos polêmicos
que levaram o governo a adiar o lançamento oficial,
previsto para março. A promessa é que o anúncio
seja hoje, em Brasília. De acordo com o Ministério
da Ciência e Tecnologia, também deve ser editada
Medida Provisória com as condições
de incentivo fiscal aos fabricantes. A expectativa no setor
é de que haja isenção de PIS/Cofins.
Fontes ligadas ao projeto informaram que as divergências
travavam a conclusão. A última reunião
antes do anúncio ainda não havia terminado
até o início da noite.
O governo chegou a afirmar preferência pelo software
livre, que iria ao encontro de sua política nacional
de desenvolvimento da indústria nacional deste segmento,
ao gerar empregos e diminuir os gastos com o pagamento de
royalties. Ontem, José Luiz de Cerqueira César,
diretor de tecnologia do Banco do Brasil, propôs a
criação de um grupo internacional para promover
software de fonte aberta e desafiar o domínio da
Microsoft.
- O software livre envolve uma visão estratégica
de desenvolvimento desta indústria no Brasil. Mas
a tendência é que o projeto não inclua
uma norma restritiva. Até agora, a Microsoft não
atendeu ao desempenho e à simplicidade necessários
aos aplicativos - afirmou o assessor especial da presidência
e coordenador do projeto César Alvarez, após
o primeiro adiamento, em março.
O grupo de estudo de software do projeto reprovou o Windows
Starter Edition, versão popular da plataforma da
Microsoft. A corrente do projeto oposta à exclusividade
do software livre argumentou que o incentivo fiscal não
poderia restringir-se a apenas um grupo de fabricantes.
Para o diretor-geral da Future Security,
André Diamand, investimentos em
aplicativos e em segurança são maiores para
o Windows, o que lhe dá vantagens em um PC popular.
- Para o PC Conectado ser viável economicamente
não poderia ser com Windows, mas para o usuário,
ele é mais indicado porque é mais fácil.
O governo está numa sinuca de bico.
Com a indefinição, a Positivo Informática,
um dos fabricantes envolvidos no projeto, se adiantou ao
governo e lançou sua versão popular a um custo
de R$ 1.299, com software livre. Outra fabricante, a Cobra
Informática já está com os produtos
prontos para serem lançados. Segundo a coordenadora
do projeto PC Cidadão da empresa, Sandra Recalde,
será usado apenas o software livre Freedows, baseado
em Linux, e o preço será de até R$
1,4 mil.
Este é o valor máximo aceito pelo governo
para o PC popular, financiado pelos bancos com parcelas
de até R$ 50. Há duas semanas, os fabricantes
receberam as informações sobre a configuração
e o incentivo fiscal. Os computadores devem vir equipados
com 26 aplicativos, disco rígido de 40 GB, 256 MB
de memória RAM, placa de rede e CD-ROM.