Segurança da informação: conscientizar para
prevenir Fonte: CardNews Magazine, 22/11/2007
Segurança (qualquer uma) sempre foi um
tema delicado.
Uma posição mais conservadora insiste
que a simples menção ao fato já traria embutida uma espécie de
validação, ou ao menos um reconhecimento tácito de sua
existência. Um modo mais esclarecido de encarar a questão da
segurança, contudo, aponta para outra direção.
Nesse
cenário, um dos profissionais de destaque é Denny Roger. Hoje,
Roger está na Future, onde assumiu a área de negócios em São
Paulo (a sede é no Rio de Janeiro). A Future é formada por
cerca de 40 profissionais de segurança e é a empresa que
possui o maior número de colaboradores certificados em uma
tecnologia de firewall conhecida como Check Point, que se
tornou uma referência no assunto. Apesar de estar à frente da
gerência de negócios em São Paulo, Roger tem formação técnica.
Segundo Roger, na área de segurança da informação, o processo
para estabelecer uma parceria é antes de tudo uma relação de
confiança. “O profissional que vai discutir a arquitetura de
uma solução tem que ter formação técnica para entender a
necessidade do cliente”, diz.
A formação técnica em
segurança da informação está começando a se firmar no Brasil,
informa o executivo. Por isso, as empresas ainda não contratam
um profissional em função do currículo acadêmico. “O mercado
reconhece o profissional em segurança pelo número de palestras
que ministra, pelo número de artigos que publica, pelo número
de cursos que ministra e pelo número de certificações
obtidas”, informa. Como se sabe, no universo de informática a
questão colaborativa é muito presente. Para o profissional
estar bem posicionado conta muito o fato de ele estar
contribuindo constantemente com a comunidade de segurança.
“Você aparece perante a comunidade fazendo trocas práticas,
sendo participativo.” Denny Roger foi premiado pelo melhor
White Paper produzido em 2005, sobre segurança em redes sem
fio. A distinção é dada pelos próprios profissionais de
segurança da informação.
Didática Falar de segurança
pode ser uma questão técnica, mas a maior dificuldade é
traduzir o intangível da tecnologia para a linguagem do
executivo, “por isso muitos projetos não são viabilizados”.
Ciente dessa dificuldade Roger desenvolveu uma didática que
tangibiliza o intangível. Segundo ele, nas muitas palestras
que ministra (no dia da entrevista, 17 de outubro, já havia
ministrado 12 palestras. Em média, são duas por semana)
mostra, por exemplo, o funcionamento de um programa espião ou
como se rouba a senha na hora do acesso a um internet banking.
“Mostrar ao vivo como essas coisas acontecem tem um forte
impacto na platéia”, diz.
Bancos e segurança Nos
últimos cinco anos, Roger formou diversas equipes na área de
fraudes dos bancos. Ele é contratado para passar conhecimentos
sobre o tipo de ferramenta usada pelos fraudadores. “Se você
não sabe qual arma o estelionatário vai usar contra sua
empresa, também não sabe qual a melhor proteção. Eu mostro na
prática não o que acontece, mas o que pode acontecer, por
exemplo, falsificação de links e de imagens.”
A
experiência de Roger com a área bancária é antiga. O?
especialista já trabalhou em quatro bancos (por questões
contratuais, pode citar apenas o BMC). Seu primeiro emprego
foi no Banco Bandeirantes já na área de internet banking em
1995, quando nem existia internet banking no Brasil. “Eu
participei do processo de desenvolvimento do internet banking
no Brasil. Sempre trabalhei na área financeira, onde me
apaixonei por segurança.” Na economia globalizada, muitos dos
desafios são comuns. Em segurança da informação não é
diferente. Mas existem as particularidades. Para Denny Roger,
a excelência da indústria bancária, fato reconhecido, também
está presente no quesito segurança da informação. “Temos os
melhores profissionais na área de segurança em função da
quantidade de tentativas de roubo de informações. Quando
mostro, em minha palestras em outros países, o teclado virtual
do internet banking, me perguntam por quê. Respondo: questão
cultural.” O fato de o Brasil exportar tecnologia de internet
banking deve-se, é claro, à capacidade dessa indústria,
altamente competente. O motivo para que isso acontecesse é o
mesmo que fez do profissional de TI bancária brasileiro um dos
melhores do mundo. Neste caso, a alta inflação; no caso de
segurança da informação, os golpes que a indústria teve de
superar. Mas, por que os ataques? Para Roger, o Brasil precisa
criar empregos. Além disso, há o acesso cada vez mais fácil à
tecnologia e um envolvimento precoce das crianças, que, em
alguns casos, têm aulas de informática desde os dois anos.
“Crianças com 10, 12 anos têm um bom conhecimento de
informática. Eu atendi muitos casos de fraude com adolescentes
de 16 anos envolvidos. Faltou direcionar esse conhecimento
para ações positivas.” O especialista diz que as ilicitudes
começam de maneira despretensiosa, como alteração de senha do
Orkut de um amigo ou com algum tipo de invasão em um
comunicador instantâneo. Ficando mais seguro, ele se pergunta:
conseguiria copiar a senha do internet banking de alguém? Se a
ação é inicialmente isolada, o tempo se encarrega de fazer com
que ela ocorra em gangues. No mundo de segurança da informação
não mais há espaço para o profissional generalista, “é tanta
coisa que eles se especializam: tem um que só desenvolve vírus
de computador; tem o especialista em ‘clonar’ páginas de
bancos; outro envia e-mails falsos. Todos os casos de que
participei eram de quadrilhas”. Como a legislação específica
para crimes digitais ainda está sendo montada, o que acontece,
segundo Roger, é que eles acabam caracterizados como
estelionato e formação de quadrilha. Outra das dificuldades é
caracterizar a origem de um golpe que não tenha partido do
Brasil, quando as evidências estão em outro país. Um juiz vai
determinar os procedimentos, que “são sempre longos e
custosos, porque é necessário constituir advogado local,
apurar as evidências locais, se elas ainda existirem”, diz.
Para Roger, a saída é a conscientização do pú blico. “Meu
trabalho é de conscientização, para evitar que a pessoa seja
vítima na Internet.”