Vazamento de dados de meio milhão de contas e inatividade faz Google encerrar Google+

A rede social do Google, Google+, foi afetada por uma falha que expôs dados pessoais de meio milhão de contas, disse, na segunda-feira (8), a gigante da internet, ao mesmo tempo em que anunciou medidas para proteger as informações dos internautas e o encerramento da Google+ até o ano que vem.

Em março, durante uma auditoria de segurança interna da Google+, no qual as pessoas com uma conta do Gmail costumavam ser vinculadas automaticamente até setembro de 2014, o grupo com sede em Mountain View, Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu uma falha que diz ter corrigido “imediatamente”.

Os nomes dos proprietários das 500 mil contas, endereço de e-mail, profissão, gênero e idade foram os principais dados expostos, assegura a Google em seu site. Os dados publicados pelos usuários, assim como mensagens, informação da conta Google e números de telefone não foram vistos ou consultados, acrescenta o grupo, argumentando que não se pode ter certeza dos usuários atingidos pela falha, nem sua localização.

Além de meio milhão de contas, até 438 aplicativos podem ter sido afetados por essa falha de segurança, que a Google não disse quanto tempo durou. Os desenvolvedores de aplicativos desconheciam a vulnerabilidade, afirma a companhia, e portanto não usaram os dados expostos: “Não encontramos evidência de que os dados tenham sido usados de maneira inadequada”.

O Google não explicou se esta falha de segurança é fruto de hackers nem o motivo pelo qual esperou meses para divulgar esta informação. Segundo o Wall Street Journal, os executivos do grupo temiam chamar a atenção dos reguladores e ser alvo de um tratamento como o que foi dado ao Facebook após o escândalo da Cambridge Analytica. Esta empresa britânica é acusada de ter reunido e utilizado sem consentimento os dados pessoais dos usuários da rede social americana com fins políticos.

— Cada vez que os dados de um usuário são afetados, fazemos mais do que a lei exige e aplicamos vários critérios para determinar se devemos notificá-los — disse um porta-voz da Google à AFP.

Neste caso, a companhia justificou seu silêncio com a natureza da informação que foi exposta, o fato de que não foi constatado o uso inapropriado dos dados e que não foi possível determinar com precisão quais usuários informar.

Novas medidas

A rede social Google+ conta com milhões de usuários e é utilizada, principalmente, por profissionais que estão interessados em temas específicos e podem ver as atualizações de seus contatos por meio dos “círculos”.

Os círculos são grupos de contatos criados pelo usuário de acordo com os critérios de sua escolha: interesses, categorias de clientes, relações etc., e dentro dos quais se pode decidir o conteúdo que irá compartilhar. Google+ foi adotado rapidamente pelas empresas, mas o Google afirma ter encontrado uma grande inatividade entre os participantes e, por isso, a versão da rede social para o público em geral deixará de funcionar. Para isso, será implementado um sistema de encerramento por um período de 10 meses, com conclusão prevista para o final de agosto próximo. “Nos próximos meses, forneceremos informações adicionais aos consumidores, incluindo formas de fazer download e migrar seus dados”, disse a empresa.

A gigante da internet anunciou novas medidas para que os usuários tenham um maior controle sobre seus dados, que se tornarão efetivas neste mês para os novos usuários e no início de 2019, para os antigos.

Os desenvolvedores de aplicativos deixarão de ter acesso aos dados relacionados com as mensagens SMS enviadas ou recebidas pelos telefones que executam o sistema operativo Android e às ligações recebidas, e contarão com acesso limitado à sua lista de endereços.

Além disso, os usuários passarão a receber solicitações individuais para autorizar o acesso aos dados dos diversos serviços do Google que utilizam.

Em comunicado em seu blog, o Google ressaltou que “Google+ é mais adequado como um produto corporativo, em que os colegas de trabalho podem participar de discussões internas em uma rede social corporativa segura. Os clientes corporativos podem definir regras de acesso comuns e usar controles centrais para toda a organização. Decidimos concentrar nossos esforços empresariais e lançar novos recursos criados especificamente para empresas. Compartilharemos mais informações nos próximos dias”.

Fonte: GZH.

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